O que é Um Movimento Social

UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO

FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE PETROLINA

HISTÓRIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

GILSON ARAÚJO

 

MOVIMENTOS SOCIAIS

 

Os movimentos sociais podem ser assim definidos:

(…) são ações sociopolíticas construídas por atores sociais coletivos pertencentes a diferentes classes e camadas sociais, articuladas em certos cenários da conjuntura socioeconômica e política de um país, criando um campo político de força social na sociedade civil. As ações se estruturam a partir de repertórios criados sobre temas e problemas em conflitos, litígios e disputas vivenciadas pelo grupo na sociedade. As ações desenvolvem um processo social e político-cultural que cria uma identidade coletiva para o movimento, a partir dos interesses em comum. Esta identidade é amalgamada pela força do princípio da solidariedade e construída a partir da base referencial de valores culturais e políticos compartilhados pelo grupo, em espaços coletivos não-institucionalizado sente da luta política de um país, e contribuem para o desenvolvimento e a transformação da sociedade civil e política. (GOHN, 1997, p. 251).. Os movimentos geram uma série de inovações nas esferas pública

(estatal e não-estatal) e privada; participam direta ou indiretamente da luta política de um país, e contribuem para o desenvolvimento e a transformação da sociedade civil e política. (GOHN, 1997, p. 251).

Portanto, as diferentes interpretações sobre o que é um movimento social na atualidade decorrem de três fatores principais, segundo Gohn (1997), primeiro: mudanças nas ações coletivas da sociedade civil, no que se refere a seu conteúdo, suas práticas, formas de organização e bases sociais; segundo: mudanças nos paradigmas de análise dos pesquisadores; terceiro: mudanças na estrutura econômica e nas políticas estatais. Resulta, então, dessas alterações, um conjunto desigual de fenômenos sociais que tem sido designados como movimentos sociais, onde tenta-se esclarecer a questão criando novas classificações científicas ou tipologias experimentais sem fundamentação teórica. Ao se debruçar sobre a presença e o significado dos movimentos sociais no cenário brasileiro atual, Gohn (op.cit.), destaca uma marcante diferença se comparados com aqueles da década de 70 e 80. Nessas décadas a diversidade de ações, calcadas em necessidades variadas da população convergia para um caráter de contraposição ao Estado, governado por uma ditadura. Nos anos 90, delineia-se um novo cenário. A sociedade como um todo aprendeu a organizar e a reivindicar seus direitos de cidadania, a partir da constatação da qualidade de não-cidadãos que são na prática. Ela tem sido auxiliada pela nova base jurídico-constitucional construída a partir de 1988, com a nova Carta Magna do país. Entretanto, existe um clima de descrença generalizado na política, nos políticos e nos organismos estatais. Hoje, são novos os tipos de movimentos, novas demandas, novas identidades, novos repertórios. São movimentos multiclassistas. movimentos que lutam pelas diferenças étnicas, culturais, religiosas. Atuam em redes e alguns deles ultrapassam fronteiras da nação, como o de antiglobalização. O estudo dos movimentos sociais deve considerar dois ângulos básicos: o interno e o externo. Eles são ligados e um é a face do outro. As duas faces compõem uma visão de totalidade dos diversos grupos; internamente, eles constroem repertórios de demandas segundo certos valores, crenças, ideologias, e organizam as estratégias de ação que os projetam para o exterior. Segundo Gonh (op.cit.), a composição de um movimento social pode ser vista sob dois ângulos: o primeiro é o da origem social de seus participantes ou do princípio articulatório que os aglutina. O segundo se destaca em relação à composição dos movimentos que diz respeito a sua localização geográfico-espacial. Eles podem estar localizados no campo como na cidade, podem ser rurais ou urbanos, estarem restritos a certo país ou a um continente geopolítico mais amplo. Como a categoria espacial não é apenas geográfica, mas tem um forte peso do componente social, disto derivam denominações: movimentos da periferia, movimentos dos guetos pobres, movimentos camponeses, bem como:

 

 

A organização de um movimento pode ser formal ou informal. Usualmente, nas

etapas iniciais, existe uma organização informal, onde com o tempo a necessidade de formalização se impõem com o estabelecimento de funções, divisões de tarefas, cargos, tempo de mandato. A organização também possui níveis interno e externo, sendo este último elemento da rede de articulações. A organização, vista como estrutura de suporte e os significados culturais-simbólicos construídos pelo movimento são elementos-chave para captar as mudanças socioculturais e políticas que os movimentos geram ou de que participam como atores fundamentais. Conforme Gohn (1997), as práticas de um movimento social se compõem de ações diretas e discursos, podendo ser mais ou menos organizadas. Os movimentos sociais mais estruturados, com organização de cargos e funções, ideologias mais tradicionais, tendem a ter mais práticas formais. Os movimentos sociais mais soltos, mais flexíveis em termos de organização, mais abertos em termos de valores e ideologias, como os ecológicos, tendem a fazer uso quase que exclusivamente das práticas informais, por isso estão sempre inovando e surpreendendo. Segundo Gohn (1997), de modo geral, podemos observar num movimento social as seguintes fases:

1 – Situação de carência ou idéias e conjunto de metas e valores a se atingir.

2 – Formulação das demandas por um pequeno número de pessoas ( lideranças e assessorias).

3 – Aglutinação de pessoas (futuras bases do movimento) em torno das demandas.

4 – Transformações das demandas em reivindicações.

5 – Organização elementar do movimento.

6 – Formulação de estratégias.

7 – Práticas coletivas de assembléias, reuniões, atos públicos, etc.

8 – Encaminhamento de reivindicações.

9- Práticas de difusão (jornais, conferências, apresentações teatrais, etc.) e/ou

execução de certos projetos (estabelecimento de uma comunidade religiosa, por exemplo).

10 – Negociações com os opositores ou intermediários por meio dos interlocutores.

11 – Consolidação e/ou institucionalização do movimento.

Devemos observar que existem várias fases e que não são todas necessariamente seqüenciais. Na prática não há linearidade de um esquema racional, porque os movimentos não são puros, autônomos, isolados, autodeterminados. Ao se falar sobre as categorias de movimentos sociais e seus diferentes tipos, corremos vários riscos, desde a simplificação de se estabelecer uma tipologia da realidade social, em termos de modelos ideais, até a generalização completa dos fenômenos sociais, onde tudo seria considerado movimento social. Pode-se ter movimentos de diferentes classes e camadas sociais, o tipo de ação envolvida é que será o indicador do caráter do movimento, segundo Gohn ( op. cit.) são:

1ª categoria – Movimentos construídos a partir da origem social da instituição que apóia ou obriga seus demandatários. Exs: a igreja, o partido, o sindicato, a escola, etc.

2ª categoria – Movimentos sociais construídos a partir das características da natureza humana: sexo, idade, raça e cor: Exs: mulheres(feminismo), índios, negros, idosos aposentados, homossexuais, etc.

3ª categoria – Movimentos sociais construídos a partir de determinados problemas sociais. Ex: saúde, transportes, habitação, ecológicos, pacifistas, antinucleares, preservação patrimônio histórico, defesa dos animais, etc.

4ª categoria – Movimentos sociais construídos em função de questões da conjuntura das políticas de uma nação ( socioeconômica, cultural, etc.). Ex: insurreições, revoltas, motins, revoluções, etc.

5ª categoria – Movimentos sociais construídos a partir de ideologias. Ex: o anarquismo, o marxismo, o cristianismo, etc. Cabe salientar, neste ponto, a função democratizadora dos movimentos sociais em sua maior parte constituindo o processo de materialização e resposta concreta a crescente crise civilizacional da atualidade que traz consigo a impotência e a desmobilização. Segundo Scherer-Warren (apud LOUREIRO, 2002, p. 79),

 

Referencias Bibliográficas

GOHN, M. G. M. Teoria dos movimentos sociais, paradigmas clássicos e contemporâneos. São Paulo: Edições Loyola, 1997.

GOHN, M. G. M. Movimentos sociais e educação. 3.ed. São Paulo: Cortez, 1999.

GOHN, M. G. M. (Org.). Movimentos sociais no início do século XXI: antigos e novos atores sociais. Petropólis, Rio de Janeiro: Vozes, 2002.

GROSSI, M. Coletânea: Sujeitos coletivos, meio ambiente e cidadania – textos e notas. Juiz de Fora: CESPEA, UFJF, 2004.

 

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