A LISTA

Essa também é de meu tempo de tomateiro, peão, como aprendi cedo em fábricas que trabalhei, é a imagem do cão, pois é, na falta do que fazer na sexta feira após o expediente, entre uma e outra gelada, cismaram de fazer uma lista dos viados que trabalhavam na fábrica, isso mesmo, naquela época não tinha politicamente correto, era viado mesmo e pronto:  no domingo em um passeio que fizemos para a ilha de Curaçá, o burburinho chegou aos meus ouvidos, tinham nove viados identificados entre nós.

A partir da segunda feira a lista foi crescendo na medida que o burburinho chegava a outros ouvidos, viados ou não, a lista cresceu, cresceu e cresceu, colocados lá por quem era viado oficial ou apenas de sacanagem para ver alguém com raiva, o nome ia imediatamente para a lista, como tudo que começa tem fim e o caso dessa lista dá para escrever um romance completo, vou apenas encerrar a presepada quando um colega de trabalho que aqui vou chamar de Santos, mas poderia ser Silva ou Almeida agiu.

Santos, recebeu alguns telefonemas no setor onde trabalhava e, ao atender apenas ouvia: Santos você ta na lista, depois de alguns você ta na lista, ele foi saber do colega de trabalho que lista era aquela, não sabia ele que o colega era quem pedia para que a peãozada ligasse pra lá lhe dizendo que seu nome estava na lista, o colega saiu e disse que ia investigar que lista era aquela, voltou algum tempo depois, fez cara de sentido e revelou ao pobre Santos, que sentia muito mais o nome dele estava em uma lista de viados:

Daí, que Santos fez sua própria investigação e ao achar que havia descoberto os autores da lista, agiu como aqueles Nordestinos lá de nóis, sacou a peixeira enquadrou os dois que havia identificado e pediu que eles apresentassem mulher, mãe e por aí que ele ia mostrar quem era viado, com a faca roçando o buxo, os brincalhões, que nem estavam na rodada que originou a lista fizeram mea culpa se desculparam e nunca mais quiseram botar ninguém em lista nenhuma.

Falo isso a despeito da lista de Fachin, que também dizem de Janot, mas, que já foi de Teori, e parecendo com a peãozada da fábrica, os membros do ministério público junto com procurador de república e toda essa gaiatada, de forma irresponsável foram enxertando a lista e colocando gente a seu bel prazer, e, mais uma vez parecendo os peões da fábrica deixavam escapar alguma coisa, para depois liberar o listão causando apreensão e medo em muita gente, não que não tenham viados na lista.

Mas, viadagem e irresponsabilidade tem que ter limite, igual a lista da fábrica, essa aí tem gente se vangloriando de não ser viado sozinho !!! opa corrupto, sinto a falta do velho Santos, munido de sua peixeira, provavelmente faria essa conversa de lista logo logo chegar ao fim.

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A MARCHA DO POVO DOIDO

Foi ontem, exatamente onze de Janeiro de 2015, tinha muita gente nas ruas de Paris e em outras cidades desse mundo velho, marchavam em protesto contra a idiotice feita por uns loucos na sede do jornal Charlie Hebdo, então me lembrei da música de Gonzaguinha que coloco como título, o povo doido marchava por liberdade, mas, liberdade pra quem?

Não foi falta de aviso, desde as primeiras charges usando-se o que seria imagem do profeta Maomé, que foram ameaçados,!! Não levaram em conta e continuaram, dificilmente nós brasileiros, seríamos capazes de tomar atitudes tão irracionais quanto a dos malucos lá da França, mas imagine um pastorzinho qualquer chutando a imagem (se tivesse) de Maomé, a igrejinha ia ter a cada dia uma filial explodida, mas felizmente por aqui “ainda” não temos esse tipo de problema.

Aqui se mata se você torce para o time contrário e sai em pleno Domingo, ostentando a camisa de seu clube do coração, mas voltando ao povo doido, pra quem era mesmo o pedido de liberdade, para os que fazem as charges discriminatórias, sem dar a liberdade do que foi retratado dizer se queria ou não passar por aquilo, a liberdade precisa ter limite, tudo precisa ter limite, a sua termina quando começa a minha, mas, para a revista, essa tênue linha não existia.

Ainda tá viva na memória a torcida do Grêmio no jogo contra o Santos no campeonato brasileiro do ano passado, Daniel Alves, Roberto Carlos, Grafite, Aranha, todos lembram!!! Algumas iniciativas foram tomadas, mais foram iniciativas cheias de receio, teve gente que não gostou da timidez das iniciativas e outros acharam que o normal é isso mesmo, bananas, guinchos e por aí… agora imaginem nossos chargista tupiniquins, muito bons por sinal, fizessem o tipo de charge abaixo.

 taubira-charlie

Pois é, a caricatura é da ministra da justiça da França Christiane Taubira, que, como podem ver passou pelo mesmo constrangimento de Aranha, Daniel e muitos outros; cada um reage de acordo com o que aprendeu durante sua vida, uns comem a banana, outros choram ou deixam o campo de jogo, alguns outros vão à polícia, mas, também tem os que explodem locais, invadem locais e matam pessoas; no caso da ministra, o jornal faz uma defesa de uma injúria sofrida pela mesma em uma publicação da extrema direita francesa, mas em muitos casos, faltou respeito, mais uma vez, não foi falta de aviso, dizem que a Charlie, é filha de 1968, quem não lembra; o lema é que era “proibido proibir”, é engraçado e triste ver a marcha do povo doido pedindo liberdade, liberdade pra quem mesmo??? Para quem zomba ou para quem mata??? Os que ontem caminhavam são herdeiros dos que eram contra o “É Proibido Proibir”.

Acho que é uma barbárie, alguém matar um outro alguém, pense numa babaquice, inadmissível um ato dessa natureza, seja por qual motivo for, mas sempre fica a lembrança, não foi falta de aviso, agora a extrema direita francesa vai recomeçar a perseguição às mesmas minorias de sempre, os seguidores de Le Pen voltarão a defender a expulsão dos imigrantes, explosão de mesquitas e mais e mais, como dizia o comediante: a raça humana não deu certo.

COM A PALAVRA NÓS, O POVO

Acreditavam que um homem era tão bom quanto outro. Em muitos desses novos estados o direito de voto era concedido a todos os brancos. O pioneiro aprendeu a avaliar os homens não pelo seu nome, mas pelo que sabiam fazer. No oeste foram despejados alemães, irlando-escoceses, franceses, homens de todas as partes do mundo. No oeste eles eram iguais; ricos ou pobres, educados ou não, grosseiros ou refinados, para todos a tarefa era igual. Se a pessoa era um sucesso, não importa quem fosse, era igual ao seu próximo. Numa reunião no oeste em que havia muita gente, alguns oficiais estavam tentando forçar a passagem até o tablado. “ Abram caminho aqui, somos os representantes do povo” “Abram caminho vocês mesmos” – foi a resposta rápida – “Porque nós Somos o POVO”

Gente que dava essa resposta conhecia a própria força; não iria se ajoelhar diante de ninguém. HUBERMAN, Leo; História da Riqueza dos EUA (Nós, o Povo)

Começo com esse pequeno texto do livro citado para lembrar o dia de hoje, acho, que já de algum tempo, nós, o povo temos dado algumas respostas interessantes aos que antes não se importavam conosco, nós, o povo brasileiro, baiano ou juazeirense, ainda não temos conhecimento da nossa própria força, no dia que tivermos, ninguém nos segura, mas, no nosso caso, juazeirenses e baianos temos dado algumas respostas que são como tapas com luva de pelica, doem, e como doem, os arrogantes de sempre, vêm recebendo pequenas respostas ao longo dos últimos anos, é só ver. De 2002 para cá, Lula, Lula de Novo, Wagner, Isaac, Dilma, Wagner de Novo, Isaac de novo, e agora Rui, Otto, Zó e Dilma de Novo.

Essa de 2014 foi mais dolorida, zombavam conosco nas ruas, ganhariam no primeiro turno as eleições estaduais, nossos candidatos dificilmente passariam de 10 mil votos aqui na cidade, esqueceram de uma coisa, de abrir caminho, e a resposta do povo foi rápida e certeira, não nos ajoelharemos mais diante de ninguém. Nos fizeram as perguntas e nós demos as respostas.

Pra Gente Não Ter Nunca Mais que Terminar

A multidão caminhava na noite encantada, comemorava apenas, como se não precisasse haver amanhã, e sem explicação, a Adolfo Viana a Carmela Dutra a Dr. José Gonçalves a Rui Barbosa a Aprígio Duarte a Raul Alves até chegar a Praça Dom Tomaz, aproveitaram a magia daquela noite, se encantaram também e em êxtase viram por elas passar um mundo de pernas e braços que se agitavam e dançavam e pulavam e vibravam provando que, além de encantados, estavam ali para provar como é que a emoção pega na veia.

 

Não era uma noite como outra qualquer, até as águas do velho Chico, tranqüilas, pararam pra ver a multidão encantada passar; e sem entender o porquê de tanta alegria, esperaram o último encantado passar para só então, seguir em frente, durante o percurso outras pessoas foram encantando-se e deixaram de lado o que tinham que fazer para se juntar a multidão encantada.

 

Quando parei na Raul Alves para falar com Cássio que desde a Adolfo me buzinara da sua moto e depois Fernando que chegara junto, apenas lembrei-lhes que aquela caminhada não devia parar, aquela caminhada tinha que ser intermitente, sem fim, pra que parar, lembrei-me de Florentino Ariza, (quem leu o Amor nos tempos do cólera) de Gabriel Garcia Marquez, sabe quem é, quem ainda não leu, leia, mais voltando à noite encantada, Florentino esperou por Fermina cinqüenta e um anos, nove meses e quatro dias, e quando finalmente realizara seu sonho, vinha o cólera atrapalhá-lo; quando seu comandante lhe pergunta o que fazer: ele simplesmente disse, sigamos em linha reta, reta, reta, outra vez, até a dourada.

 

Não tivemos que esperar tanto, mais aquela caminhada encantada, como a ordem de Florentino Ariza tem que prosseguir, reta, reta, reta, outra e outras vezes, principalmente para quem nutriu esse sonho durante os últimos quatro anos, a magia desta noite tem que continuar mudando as mentes e os corações pra quando a gente sair em caminhada não ter nunca mais que terminar.

DIA DAS MÃES

Foi há algum tempo que pude conhecer a música de Manduca, pirei o cabeção na letra e na canção, embora a música fale de um momento delicado que passávamos como nação, vi naquela letra uma despedida para minha mãe que nos deixara há poucos dias, a distância, a saudade, tudo que se refere a separação se mostra nessa canção. curtam minha piração.

Pátria Amada Idolatrada Salve Salve

Se é pra dizer adeus
Pra não te ver jamais
Eu, que dos filhos teus
Fui te querer demais
No verso que hoje chora
Pra te fazer capaz
Da dor que me devora
Quero dizer-te mais
Que além de adeus agora
Eu te prometo em paz
Levar comigo afora
O amor demais

Amado meu
Sempre será
Quem me guardou
No seu cantar
Quem me levou
Além do céu
Além dos seus
E além do mais
Amado meu,
Que além de mim se dá
Não se perdeu
E nem se perderá

Manifestações – Escárnio

Na ânsia de enganar o populacho e tentando por fim ao grito das ruas, a Presidente me saiu com uma ideia brilhante de plebiscito, Roberto já cantava, “Eles estão surdos” , digo eu, Ela está surda, a tal voz rouca das ruas está sendo gritada para surdos. Não bastaram as primeiras passeatas de protesto contra o estado de coisas que vivemos, Educação, Saúde, Segurança, tudo em falta, Corrupção, Mamatas e Falta de Vergonha em excesso; como se não bastasse isso tudo, a surdez, a proposta de nova constituição e plebiscito.

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Acharam pouco as manifestações e continuaram agindo como sempre, enquanto se questionava os gastos absurdos com a futura copa do mundo, o Presidente da Câmara e o do Senado, passeiam em aviões da FAB, um só para aparecer mesmo e o outro, imaginem!!! Para ir a copa das confederações.

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Escárnio sobre o povo e as instituições, escárnio sobre as manifestações, o Rio de Janeiro continua lindo e o governador feliz com jatos e helicópteros e o povo na rua, menos a torcida do Botafogo em frente a casa desse prefeitinho incompetente. Será que vamos esperar até 2015 pelo estádio e continuarmos no prejuízo? Não estranhei a violência desmedida nas manifestações de ontem, aquilo é a resposta ao escárnio, claro que somada a má índole de alguns que insistem em voltar das passeatas com roupa nova e TV de plasma nas costas, deplorável, como é deplorável trocar a função da FAB, que deveria estar cada vez mais fortalecida dentro da tal Estratégia Nacional de Defesa, para ficar transportando corruptos para lá e para cá.

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PLEBISCITO? NÃO

Aqui nessa casa / Ninguém quer a sua boa educação / Nos dias que tem comida/Comemos comida com a mão / E quando a polícia, a doença, a distância, ou alguma discussão / Nos separam de um irmão / Sentimos que nunca acaba / De caber mais dor no coração / Mas não choramos à toa / Não choramos à toa..Arnaldo Antunes

 

Aqui nessa casa ninguém quer o seu plebiscito não, o congresso tem corrupto, mas estamos exigindo punição, já estamos mui cansados de ver impunidade e descaração e não exigimos à toa, Não exigimos à toa..

 

O Povo foi às ruas exigir um pouco dos seus direitos, e pressionada, a Presidente me saiu com uma ideia de plebiscito para tratar da reforma política. Não vi uma faixa, cartaz ou algo do gênero pedindo plebiscito, o que o povo quer e isso já se sabe desde que Tomé de Souza chegou em Salvador é que os seus direitos sejam resguardados e cumpridos, educação de qualidade, saúde, segurança e por aí vai, para que isso se concretize é que as faixas pedem punição para os corruptos e fim dos desmandos que tanto impedem que esses direitos saiam da ficção e se tornem realidade.

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Ao invés de propor punição rápida para os mensaleiros, maior agilidade da justiça, meios seguros para que as verbas cheguem mesmo ao seus destinos, a muié me sai com uma idéia de plebiscito, as perguntas propostas são do tipo: entrego uma folha de papel para um cego e pergunto de que cor é o tal papel, e antes que os politicamente corretos caiam de pau, vejam quem são os presidentes da Câmara e do Senado e fiquem calados; o projeto de reforma política já dorme no congresso nacional há mais de vinte anos e os congressistas nunca tiveram coragem de por um fim nisso.

 

Perguntem para um manifestante em meio a uma passeata o que é o voto distrital misto. Hummm, agora pergunte ao mesmo se o transporte urbano que ele utiliza é ágil, pontual e de boa qualidade e verás, pergunte e verás;

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Aqui nessa tribo / Ninguém quer a sua catequização / Falamos a sua língua, / Mas não entendemos o seu sermão / Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão / Mas não sorrimos à toa, Não sorrimos à toa. Arnaldo Antunes.

 

Temos que continuar nas ruas, Não sei por que a torcida do Botafogo (Rj) não está acampada na frente da casa do prefeitinho do Rio de Janeiro, golpearam não só o glorioso, como também os outros clubes cariocas, ao interditarem o estádio do Engenhão, para forçarem jogos no privatizado e caro Maracanã, esvaziando ainda mais os já combalidos cofres dos ditos quatro grandes, resistindo à chantagem os clubes atuam fora do estado do Rj, longe de sua torcida, gastando mais com locomoção e faturando menos com as rendas e a muié vem com essa de plebiscito, vá catequizar outro..

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Só espero que a melhor arma de que dispomos, seja bem utilizada nos próximos manifestos, manifestos estes que se darão em 2014, 2016, 2018 …, aquele verdinho com o brasão da República, com nosso nome, Zona e Seção, pense num manifesto, chega de Renan viajar de graça nos aviões oficiais às nossas custas, chega de toda essa bandalheira… como esse artigo foi acompanhado da música “Volte para o seu Lar” de Arnaldo Antunes, termino com outra frase musical esperando que esse grito estridente, não seja gritado para surdos, parafraseando “Moska”

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